sexta-feira, 16 de abril de 2010


Podemos definir o folclore como um conjunto de mitos e lendas que as pessoas passam de geração para geração. Muitos nascem da pura imaginação das pessoas, principalmente dos moradores das regiões do interior do Brasil. Muitas destas histórias foram criadas para passar mensagens importantes ou apenas para assustar as pessoas. O folclore pode ser dividido em lendas e mitos. Muitos deles deram origem à festas populares, que ocorrem pelos quatro cantos do país.

As lendas são estórias contadas por pessoas e transmitidas oralmente através dos tempos. Misturam fatos reais e históricos com acontecimentos que são frutos da fantasia. As lendas procuraram dar explicação a acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais.

FOLCLORE, LENDAS E MITOS BRASILEIROS (RESGATE DE NOSSA CULTURA E VALORES).

Conhecendo as culturas antigas do Brasil

Lendas no Norte

Os mitos são narrativas que possuem um forte componente simbólico. Como os povos da antiguidade não conseguiam explicar os fenômenos da natureza, através de explicações científicas, criavam mitos com este objetivo: dar sentido as coisas do mundo. Os mitos também serviam como uma forma de passar conhecimentos e alertar as pessoas sobre perigos ou defeitos e qualidades do ser humano. Deuses, heróis e personagens sobrenaturais se misturam com fatos da realidade para dar sentido a vida e ao mundo.

Saci Pererê


O mito do Saci é um dos mais difundidos no Brasil, segundo muitos autores, o Saci seria uma Divindade de origem Indígena (dos primeiros índios a manterem contato com os Portugueses, portanto do Tronco Lingüístico Tupi-Guarani), na função desta divindade era o controle, sabedoria e manuseios de tudo que estava relacionado as plantas Medicinais, como Guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de chás,concentrados e outros medicamentos feitos a partir de plantas.
Como suas qualidades eram as da Farmacopéia , também era atribuída a ele o domínio das matas onde guardava estas ervas sagradas, e costumava confundir as pessoas que não pediam a ele a autorização para a coleta destas ervas.

CARACTERÍSTICAS:

1.Não se tem muito conhecimento sobre a origem da atual aparência do Saci, sabe-se que é representado como sendo um negrinho de uma perna só ,com uma carapuça vermelha,que fuma um cachimbo .

2.Seu principal divertimento é atrapalhar as pessoas para se perderem.

3.A maneira para espantar o Saci é chamando-o pelo seu nome.

O Boto


O Boto que vira um rapaz bonito
ou Ipupiara

Esta Lenda muito comum na Região Norte do Brasil, consiste num encantamento que os Botos possuem, este encantamento faz com que nas primeiras horas da Noite,principalmente em dias de Festas,os Botos se transformam em Rapazes Altos,Fortes,muito bonito e bem vestidos.Sempre a procura de festas e de muita mulher bonita para namorar. Chegando na festa eles dançam , bebem , paqueram, se comportam como um rapaz normal, e antes do dia nascer eles retornam para os Rios , pois o seu encantamento só dura a noite,e voltam a ser botos novamente.

Lendas no Nordeste

As lendas são estórias contadas por pessoas e transmitidas oralmente através dos tempos. Misturam fatos reais e históricos com acontecimentos que são frutos da fantasia. As lendas procuraram dar explicação a acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais.

Cabeça -de- Cuia


A lenda conta a história de Crispim, um pescador violento que vivia com a mãe, numa velha choça, na confluência dos dois rios. Certo dia, ao voltar para casa sem ter conseguido pescar uma única piaba e ao perceber que não havia nada para comer, irritou-se e armando-se com um fêmur de boi, desferiu um golpe mortal contra a cabeça da mãe. A velha caiu ciscando, mas antes de bater a caçoleta, rogou-lhe uma maldição, condenando-o a viver como um monstro de cabeça grande, sob as águas do Parnaíba e do Poti e que só se desencantaria depois que desvirginasse sete Marias. Desesperado o pescador atirou-se n’água e, apesar da busca incessante, realizada nas noites de lua cheia, pelas ruas da cidade, ainda não encontrou as suas possíveis vítimas, razão pela qual a maldição continua e ainda hoje ele vive a assustar os pescadores.

Capelobo


Lenda muito comum na Região dos Rios do Pará e também no Maranhão. O nome Capelobo é uma fusão com um nome de significado possivelmente indígena, onde Capê(osso quebrado,torto ou aleijado) + Lobo .

Características

O Capelobo pode aparecer com duas formas distintas:

Forma de animal: Aparece como uma anta, porém com características mais distintas, é maior que uma anta comum,é mais veloz, apresenta um focinho mais parecido com o de um cão ou porco, e longos cabelos.

Forma Humana: Aparece com o corpo metade homem , com focinho de tamanduá,e corpo arredondado.

Costuma sair a noite , rondando as casas e acampamentos que ficam dentro das florestas, costuma apanhar cães e gatos recém nascidos,mas quando captura um animal maior ou um homem ,ele quebra o crânio e come o cérebro , ou bebe o sangue.Só é morto com um ferimento no umbigo.

Lendas no Centro-Oeste

A população da região Centro-Oeste do Brasil foi formada pelos índios que alí já habitavam antes da colonização, pelos brancos vindos de diversas regiões e pelos negros fugidos ou alforiados que partiam em busca de terras. Cada etnia carregou consigo uma bagagem de suas raíses e foi da mescla dessas que surgiram as manifestações culturais, artísticas e religiosas. O folclore local é marcado pela pluralidade de danças, cantos, lendas e crenças.

Lobisomem


Segundo a Lenda ,o Lobisomem é um ser que seria resultado de uma Reza poderosa feita numa noite de sexta feira ,de preferência de Lua Cheia num estábulo ou cocheira de burro ou cavalo,no qual a pessoa rola no local como se fosse o animal ,dizendo a reza e é feita como pacto com entidades malignas .
Em algumas Regiões a transformação em Lobisomem acontece numa noite de sexta-feira sempre meia noite numa encruzilhada , onde repetindo os atos de um cavalo rolando no chão,a pessoa transforma-se.
O Lobisomem seria a fusão do lobo com o homem.Muitas histórias são contadas sobre este ser.No Brasil é comum em todos os Estados ,principalmente nas localidades da Zona Rural,onde é muito comum as pessoas afirmarem que já o viram ,que também passa a ser um mistério para quem vê e quem ouve a história.E segundo a grade maioria das pessoas que relatam encontros ocasionais com estas criaturas afirmam o seguinte:

Características

1.O Lobisomem é assim chamado por ser uma "mistura" de um lobo com um homem.Possui todo seu corpo parecido com um lobo :coberto por pelos, unhas grandes,focinho,dentes grandes e rabo,porém a estatura é de um homem.

2.Anda sobre quatro patas(como um lobo,e até uiva), e chega a equilibrar-se sobre duas patas assemelhando-se a postura de um homem.

3.Ataca quem encontrar no caminho, muito difícil escapar dele pois é muito veloz.

4.Muito valente,consegue desarmar uma pessoa com um facão ,pedaço de porrete ou algo grande que possa ser utilizado contra ele.Porém devido as suas unhas grandes torna-se inofensivo perante armas brancas muito pequenas (facas,punhais,canivetes ) , pois não consegue pegá-la.

5.O Lobisomem seria o sétimo filho homem de um casal (sete é um número considerado por muitos como um número de azar),ou uma pessoa muito esquisita, com costumes estranhos ,de características peculiares( uma pessoa que apresente características como barba muito grossa ,muito cabelo no corpo, sobrancelhas que se juntam , dentes grandes e etc.)

6. Para matar um Lobisomem as pessoas acreditam que qualquer arma é capaz do feito, entretanto uma norma deve ser seguida, se a pessoa quiser que o Lobisomem morra com a aparência de Lobisomem, deve dizer após a sua morte que matou um bicho, mais se quiser saber a verdadeira identidade do Lobisomem,deve dizer que matou um homem.

Negro d'água


Esta é a História bastante comum entre pessoas ribeirinhas , principalmente na Região Centro Oeste do Brasil,muito difundida entre os pescadores, dos quais muitos dizem já ter o visto.
Segundo a Lenda do Negro D'Água, ele costuma aparecer para pescadores e outras pessoas que estão em algum rio.
Não se há evidências de como surgiu esta Lenda,o que se sabe é que o Negro D'Água só habita os rios e raramente sai dele, sua função seria como amedrontar as pessoas que por ali passam, como partindo anzóis de pesca, furando redes dando sustos em pessoas a barco,etc.

CARACTERÍSTICAS Suas características são muito peculiares, ele seria a fusão de homem negro alto e forte, com um anfíbio
Apresenta nadadeiras como de um anfíbio,corpo coberto de escamas mistas com pele.

Lendas no Sudeste

Lendas brasileiras é uma recriação do Norte, Nordeste e Sudeste do país, de ontem e de hoje. Com extraordinária linguagem poética, o escritor imprimiu sua marca de inventividade a essas lendas aterrorizantes, divertidas e encantadoras, colaborando para um maior conhecimento e melhor identificação da cultura brasileira

A Porca dos Sete Leitões


Esta é uma lenda que conta a história de uma Baronesa ,muito mal , principalmente com seus escravos, ela os maltratava bastante, não tinha compaixão , nem queria saber de fazer alguma bondade para eles, mas seus dias como uma pessoa normal estavam contados, os escravos cansados de tanta perversidade resolveram tomar uma atitude , é ai que tudo começou, um feiticeiro negro revoltado com suas injustiças lançou um feitiço na Baronesa, e ela foi transformada em porca , e seus sete filhos foram transformados em porquinhos ( leitões ) . Segundo contam ,este feitiço lançado pelo Feiticeiro , só será desfeito quando a Baronesa e seus sete filhos que são a Porca dos Sete Leitões encontrar um anel mágico que esta enterrado em algum lugar da floresta, então é que quebrarão o feitiço e voltarão a ser o que eram.

Procissão das Almas



Esta Lenda relata sobre uma velha, que vivia sozinha na sua casa, e por não ter muito o que fazer, nem com quem conversar, passava a maior parte do dia olhando a rua da sua janela,coisa muito comum no interior.
Até que numa tarde quase anoitecendo ela viu passar uma procissão, todos vestidos de roupas largas brancas(como almas) com velas nas mãos e não conseguia identificar ninguém , ela logo estranhou,pois sabia que não haveria procissão, pois ia sempre a igreja,e mesmo assim quando havia alguma procissão era comum a igreja tocar os sinos no inicio ,mas nada disso foi feito.
A procissão foi passando , até que uma das pessoas que participavam parou na janela da velha e lhe entregar uma vela,falando que a velha guardasse aquela vela que no outro dia ela voltaria para pegá-la .Com a procissão chegando ao fim a velha resolveu dormir, e apagou a vela e guardou-a.Quando foi de manhã que a velha acordou, ela logo foi ver se a vela estava no local onde ela guardou,más para sua surpresa no local em vez da vela estava um osso de uma pessoa já adulto e de uma criança.

Lenda no Sul


Numa lenda do sul do Brasil, a explicação para o surgimento da cobra de fogo está relacionada ao dilúvio (história bíblica que fala sobre a chuva que durou 40 dias e 40 noites). Após o dilúvio, muitos animais morreram e as cobras ficaram rindo felizes, pois havia alimento em abundância. Como castigo, a barriga delas começou a pegar fogo, iluminando todo o corpo.



O Negrinho do Pastoreio é uma lenda meio africana meio cristã. Muito contada no final do século passado pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular no sul do Brasil.

Nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e peões. Num dia de inverno, fazia um frio de rachar e o fazendeiro mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros que acabara de comprar. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. "Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece", disse o malvado patrão. Aflito, ele foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou ele pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo.

Na volta à estância, o patrão, ainda mais irritado, espancou o garoto e o amarrou, nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha. E depois disso, entre os andantes e posteiros, tropeiros, mascates e carreteiros da região, todos davam a notícia, de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, montado em um cavalo baio.

Então, muitos acenderam velas e rezaram um Padre-Nosso pela alma do judiado. Daí por diante, quando qualquer cristão perdia uma coisa, o que fosse, pela noite o Negrinho campeava e achava, mas só entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar de sua madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o livrou do cativeiro e deu-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguém ver.

Desde então, e ainda hoje, conduzindo o seu pastoreio, o Negrinho, sarado e risonho, cruza os campos. Ele anda sempre a procura dos objetos perdidos, pondo-os de jeito a serem achados pelos seus donos, quando estes acendem um coto de vela, cuja luz ele leva para o altar da santa que é sua madrinha.

Quem perder coisas no campo, deve acender uma vela junto de algum mourão ou sob os ramos das árvores, para o Negrinho do pastoreio e vá lhe dizendo: "Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi...". Se ele não achar, ninguém mais acha. Origem: Fim do Século XIX, Rio Grande do Sul. Há na Argentina um personagem semelhante chamado El Quemadito, surgido durante a guerra civil de 1830.

Alguns folcloristas afirmam que o Rio Grande do Sul tem uma única lenda sua, criada às feições locais, que é a do Negrinho do Pastoreio.

Ela não tem ligação alguma com a lenda do Saci brejeiro que de cachimbo apagado ataca, à noite, os viajantes. O Negrinho ou Crioulo do pastoreio, é exclusivamente gaúcho, pelo seu feitio, pelo seu papel na vida campeira e pelo próprio martírio, que é um dos tantos episódios reais da escravidão, ele se afasta por completo do Saci. Resta uma semelhança; ambos são negrinhos.

Alguns historiadores afirmam que em São Paulo o Saci também encontra objetos perdidos a troco de ovos frescos. Mas este não está associado à idéia cristã. Barbosa Rodrigues, conhecido folclorista, inclui o Negrinho do Pastoreio como um símile do Saci. De fato, as características do Saci, realmente, não se encontram no Negrinho do Pastoreio. Nem os vícios nem as diabruras.

O Negrinho do Pastoreio é uma lenda cristã, divulgada com finalidades morais. O Negrinho é sem pecado, uma vítima. Perdendo duas vezes a tropilha que acha miraculosamente, o Negrinho, por associação natural, é padroeiro dessa atividade nos campos gaúchos. Trata-se de uma lenda puramente regional.